Por que escolho passar a vida no mundo corporativo
Não existe momento corporativo tranquilo. Então por que escolher essa vida? Minha resposta concreta, depois de mais de vinte anos.
Não existe momento corporativo tranquilo. Os problemas não respeitam agenda, não chegam em hora boa e raramente vêm sozinhos. Parte vem de fora, do que não controlamos. Parte vem de dentro, das pessoas — que são, ao mesmo tempo, a melhor e a mais complexa variável de qualquer empresa.
Então a pergunta é justa: por que alguém escolheria passar boa parte da vida nesse tipo de ambiente?
Minha resposta, depois de mais de vinte anos nisso, não é "porque gosto de desafio" — essa frase não diz nada. É mais concreta. Escolho porque poucos lugares ensinam tão rápido: você é confrontado todo dia com decisões reais, de consequência real, e descobre quem é pela forma como reage quando o plano desanda. Não dá para terceirizar isso.
Escolho também porque o que construímos aqui não fica só na empresa. Uma operação que cresce gera emprego, leva serviço a quem não tinha, sustenta famílias, movimenta cidades pequenas que ninguém olhava. Há um efeito prático na vida das pessoas que é difícil de alcançar em outro lugar — e isso me importa mais do que o número no papel.
E escolho porque o atrito faz parte. Conflito bem conduzido não é sinal de que algo está errado; muitas vezes é onde a melhor decisão nasce, no choque honesto de pontos de vista diferentes. O ambiente é difícil, sim. Mas é nesse mesmo lugar difícil que estão as maiores possibilidades de fazer, de mudar, de construir algo que dure.
Não é um mundo para todos. Para mim, com todos os pesos, ainda vale muito a pena.
Textos relacionados
- Consciência6 min de leitura
Sobre intensidade e constância
Uma reflexão sobre as pessoas intensas, suas reais contribuições, e o papel de orquestrar talentos diferentes para o jogo competitivo.
- Consciência2 min de leitura
Potencial não se instala; cria-se condição
Talento raramente é o que falta a um time — falta condição. O líder como jardineiro, não como motor.
- Consciência2 min de leitura
O que muda quando o CEO volta a ser aluno
Fiz o programa de liderança executiva em Oxford. O que mais marcou não foi o conteúdo — foi voltar a ser aluno.